Manobras dispersivas para continuar vivendo

– “É justo matar um homem por algo tão irrisório?”.

Tudo na vida depende de prioridades. No momento em que se vê restrito a duas opções e uma escolha, o mais comum é que decida em segundos pela que lhe favoreça.

O restante no mundo é hipocrisia, nada é real como parece, gira em torno de decisões que agradem a alguma maioria, e essa maioria proporcione poder. E poder é sinônimo de vida boa, estar acima da lei, defender princípios indefensáveis e fingir ser um bastião da justiça, sabendo que isso não existe; a justiça tem vários matizes, misturam-se aos artifícios humanos para fingir que são apenas vítimas das circunstâncias e causam destruição tentando fazer o melhor para todos.

É impossível que todos atinjam um nível de satisfação igual, ao mesmo tempo, simplesmente porque para que alguns alcancem os seus objetivos, muitos devem sofrer. E quem abdica dessa regra primordial acaba por ser alijado do mundo, vive como um monge, um eremita afastado das tentações, ao alcance do que a natureza tem de melhor e de pior, recebendo o sumo da sanidade mental em troca de torturas gigantescas, mudanças geográficas e climáticas que devem ser suportadas estoicamente, tendo como companhia a solidão eterna, em um jogo que pode iluminar o ser ou enlouquecê-lo.

Matar por algo irrisório é discutível, pois o julgamento está no pensamento do oponente, que, egoísta, defende o seu ponto de vista sempre. E se considera certo sempre. A vida é linear e imparcial, os viventes são simples e acatam as leis da natureza sem discussão. A não ser a humanidade, com a arrogância perene contestando o que já existia há séculos antes de sua chegada, não hesitando em mudar as coisas como melhor lhe apeteça, causando caos onde havia excelência, trocando normas para satisfazer o próprio ego, tramando contra todos os viventes e contra os outros em nome de uma justiça jamais alcançada, apenas dor e massacre, promessas em diversos níveis que utiliza como matéria prima os desfavorecidos, que servem de lenha para manter a fornalha acesa e o controle do mundo garantido.

Esses estão prontos para causar o caos quando necessário, destruir para permanecer no poder, insensíveis mesmo entre lágrimas que falsamente lamentam o que acabaram de fazer.

Responda, após muito refletir, por favor: o que é tão insignificante que justifique a vida de um homem? É possível advogar por alguém que não conhece sem ter alguma compensação em vista. Como esconder a própria natureza hipócrita quando mergulha em um turbilhão de inveja capaz de querer o mal até de alguém próximo? Existe justiça apenas pela justiça, ou é uma manobra dispersiva para que a humanidade continue existindo?

                  Marcelo Gomes Melo

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