Nesgas de luz são eternas!

Aquela luminária acesa de sol a sol, porque ela não sai. Ela nunca sai. Fica lá, imóvel, remoendo todas as ideias, possíveis e impossíveis, fitando o nada, alimentando-se de pedaços fritos de esperança, escaldado de ansiedade em um canto improvável de achar, se fazendo notar apenas quando o quer. 

O brilho fosco da bendita luminária substitui o sol e os seus poderosos raios devastadores, a lua e o seu brilho frio azulado que atua como compressa em superfície queimada. É tudo o que se destaca no ambiente nebuloso, incerto e não sabido da mente, compartimentos lacrados cujo tamanho é mutável, impede o conhecimento exterior e anula completamente qualquer noção interior. 

Ela não sai. Talvez não ouse por conta das incertezas. Não corresponde a realidade porque ela é movida por amor, e isso é sinônimo de coragem. Não sai porque não está pronta ou o ambiente seja inabitável por causa do descaso e ironia que se espalham, negando qualquer ação, proibindo qualquer atitude, ceifando qualquer coisa que possa frutificar pela raiz, incentivando o nada, exaltando o império de uma vastidão morta, vazia. 

A luz da luminária não pode ser apagada. Nenhuma tempestade cruel, nenhuma ventania ruidosa tem esse poder; elas cessam. Não têm força para permanecer sem um tempo para recarga, a luz tem. Nada a afeta. Ela é a sua vigia, o esteio para as suas incertezas e o vislumbre de alegria prometida pela eternidade. No entanto, muda, silenciosa, esperando o movimento crucial necessário para que ela adquira o momento exato para exalar sua força, e com o seu poder esperado tomar conta do zero, multiplicando as vitórias, instalando confiança, equilibrando o horror existente com uma luz morena de exatidão, com sabores que inspiram e comandam, expõem a verdade nua e crua de que os ambientes se alteram, mas a luz permanece pelas vinte e quatro horas. 

Um dia ela sairá, plenamente, o mistério será parcialmente desvendado e possibilitará a continuidade do ciclo, o eterno. 

Ela, a vontade de viver. 

Marcelo Gomes Melo