Ignóbeis sensações

Eu me afundava em seus cabelos escuros e absorvia aquele perfume suave; permitia a mim mesmo inebriar o meu cérebro ao ponto de parecer patético como um passarinho alimentando-se de sobras, aos poucos, sem nenhuma outra intenção contumaz.

Quando me dava conta reclamava da ausência de retorno, ela era indiferente a arroubos sentimentais, vivia de diversão momentânea, corroendo sentimentos puros como se degusta amendoim em um parque, sem pensar muito nisso, descartando as cascas com o pensamento longe.

Ninguém se satisfaz. Cobram coisas um do outro impossíveis de obter. Ela pensa friamente, aceita mentiras de amor e ignora o troco, simplesmente vai embora para outras percepções, conhecimentos, um tipo de felicidade seca, que se parte no meio do prazer, deixando a nítida sensação de que não foi o suficiente culpando a vítima por não concluir os desejos individuais de quem não pretende retribuir.

Pensar nisso enquanto o espaço entre os corpos se encurta é simplesmente impossível; todos os que tentaram foram derrotados, saíram desapontados e se achando injustiçados.

Não percebem que ela, que controla os botões da situação sai tão ferida quanto, mas não consegue consertar porque se acha a única vítima, não notando o rastro de sangue que lhe segue pela estrada infindável.

Amor? Não há. Prazer? Talvez, caso consiga definir. Confiança? Nenhuma, a não ser na chegada mais cedo ao precipício, ou mais tarde, para prestar contas sabe-se lá a quem.

                                       Marcelo Gomes Melo

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Incomunicável

Incomunicável. Fazendo tranças nos cabelos para não esquecer a quantidade de inimigos que deveriam ser abatidos por atos de traição e covardia. Afiando a navalha do vocabulário para destruí-los com argumentos invencíveis, insultos enigmáticos, deixando a sensação de inferioridade a quem supunha estar anos-luz do restante da humanidade, mas estavam apenas sendo arrogantes, ingênuos e intragáveis.

A cada gole de água pura um sorriso amargo fruto de pensamentos ruins contra os adversários do povo, os cínicos populistas dispostos a qualquer coisa para manter o status. A cada respiração profunda um pensamento impuro a ser realizado com aquela que provocou o tempo todo mesmo sabendo das consequências futuras, do perigo de brincar com quem não se conhece o suficiente para se ter o controle inútil em circunstâncias tão debilitadas que repartiria a dor em pedaços desiguais; alguém sempre sofre mais. Não corra, não morra.

Sob o sol, sob o céu, com os olhos fechados e a mente aberta para o desconhecido, despido das emoções fabricadas, submetido às emoções verdadeiras, um choque da existência material com a existência espiritual, corroborando uma reles subsistência emocional, colocando-se com um ser insignificante frente a um universo tão poderoso que permite que as coisas simples, portanto perfeitas sejam vistas como o são, sem causar transtornos filosóficos nem teorias insanas; isso fica para os detratores do óbvio, a quem se deve negar o benefício da dúvida para que se debatam como um peixe fora d’água, procurando um habitat há muito poluído e modificado, condenando-os ao esquecimento mais doloroso. Jamais existir por nenhum feito, sequer através de uma enorme burrada científico-filosófica sem valor algum, a não ser juntar quadrúpedes incapazes de qualquer raciocínio, límpido ou não.

Incomunicável. É o prêmio por conseguir afastar-se da mediocridade sem fazê-los perceber o motivo, sem ofendê-los com a realidade. Exaltando-os silenciosamente como o rei dos tolos enquanto existirem e insistirem.

                              Marcelo Gomes Melo

A noite mais escura da vida

A noite está tão mais escura! O vento quente que se abate sobre mim não carrega, apenas cozinha, os meus pensamentos de tristeza mortal.

Todos os rios que correm através da cidade são como veias em meu corpo transportando sangue pisoteado e coagulado, levando-nos ao fim. Não há saída para os horrores que nos atormentam!

Soldado até o fim, aperto o punho da espada com ódio, mas, algo me impede de buscar por justiça rápida. Acreditar ou não é tarefa hercúlea quando se trata de paixões rebuscadas, talhadas em mármore frio que ofusca a visão com o advento inclemente do sol.

O meu corpo que jamais pertenceu senão à bela dos séculos agora treme e suplica por vingança soberba, hostil, inesgotável. Apenas a minha mente sóbria, ligeiramente empanada pela dor poderia brecar os movimentos rústicos, destruidores que saciariam o meu desejo por sangue.

Ah, se fosse possível descobrir a verdade além da realidade é sanar todos os tormentos com apenas um golpe! A força é suave e estrondosa, um terremoto seguido de ondas terríveis destruidoras, que arrasam impiedosamente por onde passam sem remorso, sem sentimento, apenas algo que deve acontecer.

O brilho dos meus marejados olhos não contém as piores sensações que tive comparadas aos momentos inebriantes e felizes que tenho vivido através dos tempos.

 A noite está tão mais escura por sua causa! O frio que me acomete é tanto que magoa os ossos, porque você não vem! Você não virá e eu estarei até o final dos meus dias aqui, como um soldado sem batalha, a espada em repouso, a mão crispada na empunhadora sem expectativa de felicidade.

No fim o que sobrou para os valentes, como eu? A cama vazia, o templo vazio, a mente vazia… O crepúsculo anunciará boas novas? Ou os terrores causarão ainda mais desencantos?

                              Marcelo Gomes Melo

O preço para a imortalidade

Elisa, não se esqueça que as pessoas morrem de amor, ou por amor, mas o sofrimento jamais as mata, só torturam infinitamente.

Nunca há luz no fim do túnel porque no meio do caminho há um abismo que lhe engole e lhe faz sucumbir ante a isca mais fácil de usar: a luz.

Esse seu olhar de “porque você não se suicida para evitar que eu o mate e vá para a prisão” não me comove nem um pouco, eu defendo os meus argumentos com bases fortificadas e dou garantia do que afirmo, tendo em vista experiências pessoais assombrosas.

Também lhe digo, querida Elisa, que tais experiências não me eliminaram convívio humano apenas porque eram puro sofrer, dor e mágoas bem distribuídas pelo tempo e significado.

O sofrimento purifica a alma, dizem, mas as cicatrizes mascaram a ira com que se vive, contendo ao máximo a vingança, rangendo os dentes e esperando que o troco seja bem aplicado por parte de outras pessoas, justamente porque é impossível a alguém retaliar sem se transformar em um vilão no olhar do restante de almas hipócritas e julgadores, não importa a razão que se tenha.

Reitero, Elisa, minha santa, que o sofrer adora vir em doses constantes, mas não tão forte que lhe tirem os sentidos, ou não haveria razão para acontecer.

Por essas e outras razões venho através desta confirmar o meu fim próximo, o meu afastamento da horda de sofredores, porque em breve descerei a rampa dos condenados em direção ao hades, a caminhada final, e serei esquecido de pronto sem saber se esquecerei da mesma forma, ou continuarei a remoer um amor rejeitado para todo o sempre.

Essa é a minha declaração, Elisa, de óbito e de amor por você, o que confirma a minha teoria e me faz partir vencedor dessa vida incoerente. Morrer por amor é plenamente possível, até esperado. É esse o fim que todo amor tem. Mas o sofrimento, Elisa, ah o sofrimento! É o preço que se paga pela imortalidade!

                               Marcelo Gomes Melo

A única maneira para um cara como eu

A imensa vontade de lhe encontrar sozinha no jardim em noite de festa, vestida de gala, perfumada com o mais hipnótico pode de atração erótica e o mais belo sorriso da face da Terra, movimentou o meu corpo instantaneamente, como se eu fosse um robô desgovernado.

Sem fazer a mínima ideia do que dizer, confiava plenamente no meu poder de sedução, da atração fundamental que incita os corpos e causa furor nas atitudes da paixão, que ignoram regras, ética, qualquer coisa que mente ao pudor e nos leve à prisão.

Em relação a isso, caso ficássemos juntos eu não reclamaria, solicitaria a mais profunda masmorra inóspita, na qual dançaríamos nus à luz do luar que entrava pela minúscula janela gradeada, banhando de luz fria os nossos corpos suados e aquecidos. O calor que nos enlouquecia nos levava à cama de palhas sobre um chão de pedra para realizar o mais maravilhoso ato desde a criação humana, afeitos a qualquer conforto, amando pelo amor em si mesmo e mais nada.

Cravando os dedos nas grades do imenso portão, do lado de fora olhando o belo e imenso jardim, observando à distância pelos camaradas armados sob o paletó preto que faziam com competência a segurança do local.

Dali, nem de longe poderia vislumbrar a passagem da musa monumental que sustentava a razão da minha vida! Entrar sem convite, sem chance. E eu não tinha convite. Ela sequer me conhecia! Os sonhos são a melhor, a única maneira para um cara como eu.

                              Marcelo Gomes Melo

A forca na varanda

Havia uma forca na varanda. Pelo menos era o que parecia daquela distância, ao anoitecer vista da casa do outro lado da rua. A iluminação era precária, só se via uma vela tremular através da janela, o resto era escuridão.

Aqueles metros de corda pendurados na varanda com o que parecia ser um laço na ponta chamou a atenção dos vizinhos da casa frontal, tendo em vista que o ermitão que lá morava mal era visto à luz do dia, carrancudo e arredio, claramente sem intenção de socializar com os vizinhos curiosos.

Eram casas construídas em suas fazendas ou sítios, longe umas das outras, o que facilitava a intenção de não interagir com ninguém do homem que lá morava. As crianças o tinham em conta como um velho rabugento que jamais devolvia as bolas intactas quando acidentalmente caíam dentro de sua propriedade. Voltavam murchas, esfaqueadas, sem uso para o esporte que praticavam.

O homem barbudo de cabelos longos e grisalhos trajava sempre camisa branca de mangas dobradas e suspensório em vez de cinto para segurar as calças no trabalho. E as botas de vaqueiro completavam o visual. Era algum tipo de psicopata, diziam as mulheres umas às outras, e evitavam falar com ele, convidá-lo para algum bazar beneficente na igreja.

 Aos homens restava a teoria de que ele sofrera alguma desilusão amorosa e não queria mais contato com as mulheres em geral.

 A forca só era vista à noite, quando a vela acesa na janela da cozinha tremulava açoitada pelo vento, causando um efeito aterrorizante.

 Será que o homem iria se matar? Tinha mesmo cara de psicopata, diziam alguns, torcendo para que seja lá quem fosse não tivesse ouvido o copo cair estilhaçando-se no chão da cozinha.

 Apostas passaram a ser feitas na casa da frente, em que as pessoas sentadas nos degraus bebendo cerveja propositalmente tentavam, invisíveis, descobrir qual o motivo da tal forca na varanda.

Usavam binóculos e filmavam com os seus celulares, procurando uma história excitante que culminasse em suicídio ou coisa que o valha.

De dia, ao transitarem disfarçadamente de um lado para outro na frente da casa, nada enxergavam que pudesse refutar ou concordar com as teses. Nada de corda pendurada durante o dia, nada de vela acesa, nada de viva alma naquela residência assustadora.

Um ritual satânico foi cogitado; uma brincadeira de mau gosto para zombar da curiosidade deles também foram citadas na lista de motivos para aquela cena que se repetia todas as noites.

Virou rotina e os vizinhos foram perdendo o interesse no jogo; já não se sentavam à noite para observar a vela tremulando nem a peça de corda que lembrava uma forca.

Eis que uma manhã dessas acordaram com inúmeros carros de polícia isolando a área em torno da casa e um corpo pendurado pelo pescoço balançando ao sabor do vento, pescoço quebrado, asfixiado, morto, suicidado finalmente.

Os vizinhos trocaram olhares e contaram à polícia tudo o que sabiam sobre a forca na varanda, mas não tinham uma palavra sequer de conhecimento sobre o homem que tirara a própria vida daquele jeito, um solitário a mais no mundo, sem amigos, sem família, sem ninguém.

Na noite seguinte não havia mais corda na varanda; muito menos vela tremulando naquela casa. Apenas escuridão total e completa.

Os vizinhos passaram a conversar e beber como antes, só que agora com a luz acesa, esquecidos rapidamente do que acontecera do outro lado da rua.

É, as pessoas perderam mesmo a capacidade de se emocionar…

                              Marcelo Gomes Melo

Sob o signo dos ferimentos incuráveis

Um homem deve conviver com a sua planificação malfadada, com os seus enganos teimosos e falsa convicção que o leva às entranhas de suas falhas, para que sobreviva, saindo de um labirinto, como Teseu, só que criado pela sua própria alma, que o obriga às decisões mais polêmicas.

A juventude oferece energia para que se esmurre pontas de faca e, com orgulho siga-se ladeira abaixo sem perceber as bobagens que se comete em nome da falta de experiência e ambição desmedida.

Com o passar do tempo, o envelhecer oferece marcas indeléveis que servem para lembrar dos erros e não mais cometê-los, ou reaviva-los com a mínima possibilidade de superar e considerar-se um vencedor.

Vive-se uma época em que a juventude é exaltada como mais importante do que o conhecimento, a capacidade de regar para manter os frutos já conquistados como base para as escolhas futuras, as novas descobertas sem o uso de inteligência prévia para evitar problemas pode destruir mais do que colaborar com o que já foi conquistado.

O desprezo pela história vivida e eternizada insere no presente extrema dificuldade na convivência social em que os mais velhos são colocados à margem, como se a colaboração preciosa não fosse o bastante para que sejam considerados. Tentam conquistar tudo do zero sob uma perspectiva totalmente nova e desconhecida, com falhas inerentes que causarão caos e destruição, até que as ideias envelheçam e adquiram ajustes; mas então novos jovens arrogantes desprezarão as ideias maturadas e um novo ciclo se iniciará, obrigando a uma população inteira a viver sob o signo do engano e dos ferimentos incuráveis.

                              Marcelo Gomes Melo

Quando a luta para não pensar racionalmente é motivada pela chance de brilhar

As cicatrizes que carrego hoje em dia parecem invisíveis para o resto do mundo, mas se fazem presentes violentamente, impiedosas, magoando na mudança de tempo e temperatura, me instigando a tomar atitudes pouco recomendáveis para alguém que aparenta tanta segurança e tranquilidade na arte de interagir socialmente.

Inspirar fundo revigorando o corpo com oxigênio limpo, permitindo aos perfumes naturais invadir a alma e conectar o pensamento a um grande vazio, geralmente associado à morte e ao esquecimento, mas realmente aconchegando a um limbo natural que enriquece e revigora para o retorno à rotina diária que, sem esses benefícios, murchariam e sumiriam do centro das atenções sociais que significam status e eficiência.

O truque é não se deixar cair na armadilha de tentar esconder as dores e vender uma falsa alegria plástica e inodora, que pode causar inveja momentânea, mas a longo prazo se mostra patético e constrangedor.

Valorizar as conquistas só é possível curando as feridas das batalhas, reconhecendo as dificuldades e honrando o adversário sem arrogância e antipatia.

As cicatrizes podem ser sentidas por quem as toca suavemente, sem medo ou asco, reconhecendo o heroísmo e verificando beleza na arte de carrega-las com dignidade.

A procura da perfeição estética é inútil, visto que a beleza é ímpar e de escolha individual, portanto a tentativa de criar e obrigar a aceitação de padrões gera idiotas. E a coisa piora quando esses escravos abrem a boca e justificam plenamente a possibilidade de não serem considerados seres pensantes.

                              Marcelo Gomes Melo

Receita infalível para descobrir quem lhe ama

Dizem que há uma receita infalível, como um vírus, para descobrir se é amado e em que nível por alguém. Desde um animal de estimação ao amor de sua vida.

Essa lei, mais do que uma receita queda à vista de qualquer um que não seja idiota o bastante para rejeitar o óbvio, e, acredite, a grande maioria é assim, por isso vivem punidos por tal imbecilidade sofrendo diversas vezes durante a vida, e culpando aos outros pelas próprias tolices, incapazes de enxergar equilíbrio, atormentados profissionais.

Passemos então à breves considerações no que concerne à ingenuidade incentivada que empurra os tontos aos maiores e mais complexos dissabores da vida. Senão vejamos: se alguém lhe ignora por completo e chega a demonstrar sinais de asco, mas não perde a oportunidade de criticar seus atos mesmo que não tenham nada a ver com isso… Pode significar que essa pessoa sente imensa paixão por você. Ou não. Talvez ela te odeie mesmo.

E se alguém lhe cobre de atenções, flores, bombons, carícias e gentilezas inesperadas, preocupa-se com o seu bem-estar e demonstra isso abertamente o tempo inteiro… Pode ser amor inigualável, necessidade de estar junto o tempo todo. Ou apenas interesse em seus bens materiais e propriedades, inveja e vontade de usufruir das coisas as quais lhe pertencem.

Caso os olhares se tornem intensos e significativos, os lábios sejam constantemente molhados por uma língua sedenta; o roçar das costas das mãos, os toques acidentais… É provável que seja atração indescritível, tesão incontido, realmente. Ou apenas vesgos som Alzheimer em ambiente controlado tentando conversar sobre a palestra do médico de ambos.

Ainda não entendeu?! A receita está no ar, para provar que o aleatório domina o amor! Você recebe os condimentos e cozinha, ou frita, mistura ao seu bel prazer e seja o que Deus quiser!

Não há fórmula matemática. Não há passo a passo! O que tiver que acontecer, acontecerá. E a grande roda da vida continua a girar, isenta, indiferente, indiscriminadamente.

                              Marcelo Gomes Melo

A política do “Faça o que eu digo, portanto faça o que eu faço”.

O Brasil é o maior país da América Latina. Também é o mais promissor dentre todos em termos de desenvolvimento. O Brasil é o eterno país do futuro já faz 50 anos ou mais!

O nosso país é o mais rico em recursos naturais e em possibilidade de enriquecimento pessoal e coletivo. O ufanismo é oferta da casa, embora as ações contradigam completamente esse falso “brasileirismo”.

Enquanto o nacionalismo é vendido pelos novos astros com sorrisos e frases de efeito, esses mesmos astros desconhecem que estão vestindo, dos pés à cabeça produtos estrangeiros, agindo como cowboys como se isso fizesse parte de nossa cultura interiorana; do campo mesmo apenas o analfabetismo congênito provocado pela falta de cuidado do governo educação e cultura, transformado erroneamente em humildade, quando nada tem a ver com isso. Colocam idiotas deslumbrados para falar das raízes; mas não as nossas, as raízes de outros povos.

O Brasil tem uma mania de grandeza absurda para quem sofre com tanta desigualdade social. Essa mania se espalha inclusive pelos que ostentam sem ter nenhuma condição para isso, vendendo o almoço para comprar o jantar, mas fazendo o que mais lhes importa: contar vantagem.

Não se pode esquecer que possuímos os políticos mais corruptos do mundo, uma imprensa despreparada em sua maioria, por ser formada por ex-jogadores, artistas e outros picaretas que desconhecem os princípios do jornalismo porque não estudaram para isso, enfraquecendo uma área de suma importância para uma sociedade evoluída.

E o ponto crucial, embora politicamente incorreto, que é o fato de sermos um país de gente mal educada, desrespeitosa e fútil. Não se trata de pobreza nem de falta de cultura, que fique bem claro, mas de educação. De achar desnecessário respeitar as normas de conduta social. Não importa se são ricas ou pobres, as pessoas parecem ter vergonha de utilizar com frequência palavras preciosas como ”por favor,”, “com licença” e “muito obrigado”; se acham no direito de usar o wi fi do vizinho, carregar uma “criança” de dezoito anos no colo para furar a fila, ou usar os avós idosos que mal se aguentam em pé para utilizar o caixa eletrônico antes dos outros.

Uma nação que ignora as regras de boa educação, que ofende com linguajar chulo e em altos brados em lugares inadequados, que usa celulares e fuma em locais proibidos, proclamando a si mesmos como sinceros, originais e autênticos, de forma que ignorância pareça sinônimo de autenticidade.

Um país de superlativos engana a si mesmo em grandes proporções. Essa grandiloquência facilita os tombos homéricos, ludibriados pela própria falta de noção e humildade.

Resta criar um antídoto para isso. Um antídoto realista e verdadeiro, não mais delírios estrondosos que jamais darão resultado. Já é hora de passarmos das reclamações sem fim, apontando os mesmos erros que todos conhecemos, da crítica inócua e evasiva para ações diretas que resultem em melhora imediata, mesmo que pequena.

Como conseguir isso? Praticando o que pregamos, individualmente. Criando a política do “Faça o que eu digo, portanto faça o que eu faço”.

                      Marcelo Gomes Melo